Farol do Gonçalo Velho


A Comissão de Faróis e Balizas, propunha já em 1881 o estabelecimento de um farol de segunda ordem, orçamentado em 20 074.000 réis, a erguer na Ponta do Castelo, na Ilha de Santa Maria, englobado num plano que previa a necessidade premente de iluminar de forma adequada o Arquipélago dos Açores, justificando-se a sua importância, conforme refere a proposta de lei n.º 10 G, de 15 de Janeiro de 1883:

... A navegação que se efectua entre os Estados Unidos e a Europa, e a que partindo do Mar do Norte; Gran-Bretanha e França, demanda a América Central, naturalmente se aproximam das ilhas dos Açores...

O plano não se concretizaria tão rapidamente como os seus autores porventura esperariam, permanecendo as ilhas iluminadas de forma deficiente durante largos anos.

A comissão de 1902, viria a propor, relativamente a este farol, algumas alterações, nomeadamente um aparelho de 4.ª ordem no lugar do anteriormente projectado, mantendo-se no entanto as características da luz, quer no seu ritmo, quer no seu alcance.

O projecto para a construção do farol na Ponta do Castelo da Ilha de Santa Maria, datado de 6 de Março de 1925, acabou por ser orçamentado em 250000$00.

Para a edificação do farol houve necessidade de comprar os terrenos a diversos proprietários, uns a título de cedência, outros pela quantia de três mil e quatrocentos escudos.

O farol entrou em funcionamento a 15 de Novembro de 1927, tendo sido baptizado com o nome do navegador que descobriu a Ilha de Santa Maria – Gonçalo Velho. Foi edificado na Ponta do Castelo na parte SE da Ilha de Santa Maria. Tem uma torre prismática quadrangular com 14 metros de altura e 114 metros de altitude.

Foi equipado com um aparelho lenticular de 3ª ordem, grande modelo (500 mm distância focal), sendo a fonte luminosa principal o gás BBT, e de reserva a incandescência pelo vapor de petróleo e um candeeiro de nível constante. A rotação da óptica é produzida pela máquina de relojoaria, produzindo grupos de três relâmpagos de cor branca de 10 em 10 segundos de alcance 29 milhas com a fonte luminosa principal.

A parte superior da cúpula é de vidro para lhe dar a característica de aeromarítimo.

Em 1934 foi construída mais uma casa de habitação com a finalidade de aumentar a lotação do farol e alguns anos mais tarde (1955), construiu-se a casa das máquinas e o depósito de combustíveis.

O farol foi electrificado em 1957 com a montagem de grupos electrogéneos passando a fonte luminosa a ser uma lâmpada de incandescência de 3000W, 120V.

A máquina de relojoaria deu lugar a um motor de rotação eléctrico em 1971.

Em 1987 o farol foi automatizado com o sistema modelo DF. A potência da fonte luminosa foi reduzida com a instalação de uma lâmpada de halogéneo de 1000W 120V.

Neste mesmo ano foi instalado um equipamento de monitorização do Farolim das Formigas.

Foi electrificado com energia da rede pública em 1991.

LocalPonta do Castelo, Ilha de Santa Maria.
Coordenadas36° 55' 46.6926"N, -25° 0' 58.5936"W
Altura14 m
Altitude312 m
LuzFl (3) W 20 s
Alcance26 M
OpticaAparelho lenticular de 2ª ordem
Ano1922