Farol do Cabo Espichel


Consta que em 1410, teria aparecido no Cabo Espichel, Santa Maria (Nossa Senhora do Cabo) para acalmar um temporal e “iluminar o oceano como se fosse dia”. Em 1428 já lá existia a ermida da memória e em 1430 começaram os círios, e a irmandade de N. Sr.ª do Cabo edificou um farolim antecessor do actual farol.

A grande afluência de círios ao cabo obrigou a que, em 1715, se construíssem hospedarias com sobrados e lojas que seriam ampliados cerca de cinquenta anos depois. As hospedarias, a ermida e uma igreja mandada construir em 1701 por D. Pedro II, constituem actualmente o Santuário de N. Sr.ª do Cabo Espichel, local muito demandado por peregrinações.

A construção do actual Farol do Cabo Espichel decorre do ímpeto reformista que decorreu do terramoto de 1755, em que o Marquês do Pombal cria, em 1758, um Serviço de Faróis organizado e manda construir seis faróis. Data de 1790 a sua construção, a cerca de 600 metros do santuário. Pouco se sabe do seu equipamento inicial, pelo que a primeira referência pormenorizada consta de um roteiro da nossa costa de 1812, considerando o edifício “muito distincto e separado, elevado 620 pés, que póde avistar-se na distância de 30 milhas”.

Outro relato do Almirante Pereira da Silva, o primeiro oficial da Marinha a assumir a responsabilidade pelo serviço de faróis, descreve em 1865:

“A luz d’este pharol é fixa e branca produzida por dezesete candieiros de Argant com reflectores parabolicos, distribuidos na respectiva árvore em tres ordens horisontaes, formando um sector illuminado de 260º, com seis candieiros na primeira ordem, cinco na segunda e seis na terceira tendo um alcance de 13 milhas.

A lanterna que abriga o apparelho tem 6m,80 de altura com seis faces de 1m,30cada uma de largo. A cupula tem uma chaminé no vertice que dá suficiente tiragem ao fumo; mas faltam-lhe em roda tubos para a ventilação, e não tem pára-raios.

O edificio em que assenta a lanterna é uma torre hexagonal formada de tres corpos construidos de grossas paredes de alvenaria, que apresentam talude no primeiro corpo inferior; sendo verticais as dos dois que lhe succedem, e arrematando com cimalha e varanda de cantaria, elevando-se dentro d’esta um sócco que sustenta a dita lanterna. Os cunhaes também são de cantaria. A altura de todo edificio, desde a base da torre até ao vertice da lanterna, é de 30m,70.

Data a construcção d’este pharol do anno de 1790, tendo sido reformado em 1817, 1846 e 1848.

Em roda e ligado ao primeiro corpo da torre d’este pharol há um edificio com telhado e que tem por base um rectangulo de 22m,80 por 10m,72 com quatro casas para residencia do pharoleiro e deposito de azeite com tres tanques de pedra, que podem receber 100 almudes ou 1695 litros de azeite. Todo este edificio é circumdado de um muro de vedação com uma cancella de ferro para o lado do nascente.

N’este pharol não ha relogio para regular o serviço.

(...)

Para o serviço d’este pharol ha só um pharoleiro, que tem um homem a quem paga para o coadjuvar, o que bem mostra a necessidade de haver ali mais outro pharoleiro para se alternarem n’aquele serviço, principalmente de noite.”

O Plano de Alumiamento de 1883 definiu melhoramentos para este farol, pelo que a Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Pharoes comunicou que, em 30 de Maio de 1886, o farol passaria a funcionar com uma nova lanterna, um aparelho iluminante de primeira ordem (920 mm de distância focal) rotativo com quatro clarões, uma máquina de relojoaria para a rotação e um aparelho iluminante utilizando a incandescência pelo vapor de petróleo. Foi também dotado de um sino como sinal sonoro, junto á falésia, que seria substituído por uma sereia a ar comprimido em 1925.

Foram montados geradores em 1926 e em 1947 era ali instalado o actual aparelho óptico, aeromarítimo com 300 mm de distância focal. Foi dotado de um transmissor de MF constituindo um radiofarol entre 1948 e 2001.

A rede pública de electricidade chegou ao farol em 1980 e o farol foi automatizado em 1989 com a instalação de um novo sinal sonoro e mecanismos redundantes para a rotação e substituição de lâmpadas. Actualmente o farol é guarnecido por três faroleiros.

Apesar de se situarem numa zona isolada, o Farol e o Santuário constituem um importante motivo de interesse da região. No último verão realizaram-se palestras e visitas nocturnas ao farol, com cerca de um milhar de assistentes.

LocalCabo Espichel - Azóia
Coordenadas38° 24' 56.1306"N, -9° 12' 59.0112"W
Altura32 m
Altitude168 m
LuzFl Br 4s
Alcance26 M
Optica4ª Ordem 300 mm
Ano1790