Farol do Cabo da Roca


O farol do Cabo da Roca entrou em funcionamento em 1772, sendo o terceiro mais antigo da nossa costa, integrando o grupo de seis faróis mandados edificar por alvará de 1 de Fevereiro de 1758 da Junta Geral da Fazenda do Reino. Trata-se mesmo do primeiro farol construído de raiz no nosso país, uma vez que os dois anteriores foram instalados em construções já existentes.

Tem uma torre com 22 metros de altura encontrando-se a sua luz 165 metros acima do nível do mar. Pouco ou nada se sabe quanto ao material que inicialmente o equipava, não se avistando a sua luz a mais de 2 milhas, o que leva a crer que o material instalado seria muito rudimentar.

Em 1843, na gerência do engenheiro Gaudêncio Fontana, o farol sofreu importantes alterações, entre as quais se contou com a montagem de um novo aparelho de rotação, composto de dezasseis candeeiros de Argand com reflectores parabólicos.

Mesmo assim, em 1865 os comentários conhecidos em relação ao farol do Cabo da Roca, não eram os mais abonatórios: «... Tem uma lanterna de abrigo com tal largura de caixilhos, que na direcção d´estes nenhuma luz se vê. De pouco ou nada servem e é de lamentar que enquanto as demais nações procurem a segurança e a facilidade da navegação, nós maltratemos os que nos procuram e, como indicador do litoral, lhes mostremos apenas umas luzes de “negaças” e por isso de pouca utilidade.»

Em 1883 foi aprovada a instalação de um farol eléctrico e de um sinal sonoro, tendo a construção dos edifícios, sido protelada em virtude da terrível crise financeira que tão duramente se manifestou em 1891 e tão forte depressão exerceu nos anos seguintes sobre a vida económica, pelo que só veio a acender-se o farol eléctrico em 1897, com um sistema de reserva composto por um candeeiro a petróleo de 3 torcidas. O aparelho óptico era de 4ª ordem, sendo a rotação produzida por um mecanismo de relojoaria. Neste mesmo ano entrou em funcionamento uma sereia a vapor (sinal sonoro).

Em 1917 foi construída uma instalação produtora de gás acetileno, porque o gás do mercado, que se destinava a servir de combustível a alguns faróis e às bóias e farolins do Continente, Açores, Madeira e Cabo Verde, não tinha a pureza adequada ao material instalado.

O sinal sonoro foi substituído por outro accionado a ar comprimido em 1932, que seria substituído por uma sereia eléctrica em 1982 e extinto em 2000.

Em 1937 foi instalado um rádiofarol que viria a ser extinto em 2001 por deixar de ter interesse para a navegação.

Foi montado um novo aparelho óptico (aeromarí-timo) em 1946, tendo no ano seguinte este mesmo aparelho sido substituído por um de 3ª ordem, grande modelo (500mm distância focal). A lâmpada montada era de 3000W.

Em 1949 foi ligado à rede pública de abastecimento de água e em 1980 à de distribuição eléctrica.

Em 1990 o farol foi automatizado e a instalação produtora de gás acetileno encerrada por se ter substituído a utilização deste pela energia fotovoltaica.

No farol existem nove residências em virtude de, no passado, ter havido a necessidade de guarnecer a lanterna, o sinal sonoro, a fábrica de acetileno e o radiofarol. Actualmente é guarnecido por três faroleiros que asseguram o assinalamento marítimo entre o Cabo da Roca e a Ericeira.

A localização do farol do Cabo da Roca, no ponto mais ocidental do continente europeu faz atrair muitos visitantes que, face à altura sobre o mar, desfrutam de uma magnifica panorâmica sobre o oceano Atlântico.

LocalCabo da Roca - Sintra
Coordenadas38° 46' 54.8184"N, -9° 29' 50.3916"W
Altura22 m
Altitude165 m
LuzRl (4) Br 18s
Alcance26 M
Optica3ª Ordem 500 mm
Ano1772