Farol do Cabo Carvoeiro


O Farol do Cabo Carvoeiro faz parte do grupo de seis faróis mandados edificar pelo alvará pombalino de 1 de Fevereiro de 1758 que criou o Serviço de Faróis em Portugal. Entrou em funcionamento em 1790, sendo um dos mais antigos da costa portuguesa.

A sua torre original, de secção quadrada com 20,9 metros de altura, era constituída por três corpos, sendo o da base um tronco de pirâmide, encimado por dois paralelepípedos. No seu topo estava instalada um lanterna de oito faces com 8,2 metros de altura. Junto da torre existiam alguns edifícios e uma igreja que em 1865 se encontrava em ruínas e era identificada como sendo a Ermida de N. Sª. da Vitória, sobre a qual consta ter existido uma luz para guiar os navegantes.

Pouco se sabe do seu equipamento inicial embora se imagine que devia consistir de um conjunto de candeeiros de Argand com reflectores parabólicos, semelhante aos utilizados noutros faróis seus contemporâneos. Era precisamente uma árvore com 16 candeeiros de Argand que o equipavam, de acordo com uma descrição do Engº Hidrógarfo Pereira da Silva em 1865.

A “Comissão de Pharois e Balisas” incumbida em 1881 de elaborar um “Plano de Alumiamento das Costas, Portos e Barras do Continente e Ilhas Adjacentes”, considerou o farol em muito mau estado e determina a sua reedificação .

Um Aviso aos Navegantes de 1 de Fevereiro de 1886 indicava que o novo farol estava pronto, com uma torre de 20,6 metros encimada por uma lanterna de 5 metros de altura por 2,5 de diâmetro, estava equipado com um aparelho óptico de 3ª Ordem, provido de um candeeiro a petróleo de três torcidas, apresentando uma luz fixa vermelha com cerca de 17 milhas de alcance, o que, não sendo elevado, era suficiente pois este apenas serve quem navega nas proximidades do canal entre as Berlengas e Peniche, residindo a necessidade de maior alcance na Berlenga, situada 5,5 milhas a oeste deste.

Em 1886 foi dotado de um sinal sonoro constituído por uma trombeta de palhetas, activado por ar comprimido armazenado em grandes reservatórios para onde era carregado através de um compressor a vapor de 4 cavalos. Este sinal era estabelecido pelos faroleiros em condições de visibilidade reduzida, sendo actualmente um sistema electroacústico activado por um detector automático de nevoeiro.

O aparelho lenticular de 3º Ordem foi substituído em 1923 por um girante de 4ª Ordem, passando a apresentar quatro relâmpagos em substituição da luz fixa, mas mantendo a cor vermelha. A fonte de energia do aparelho iluminante passou a ser o gás em 1947 e em 1952 foi instalada a lâmpada eléctrica.

No ano de 1949 foi montado no recinto, um radiofarol, que viria a ser extinto em 2001 por ter deixado de ser útil à navegação.

O farol foi automatizado, em 1988 com a instalação de um novo aparelho óptico/iluminante composto de um tambor com ópticas seladas. Este sistema consiste de um conjunto de ópticas seladas do tipo das utilizadas nos automóveis, fixas nas faces de um prisma hexagonal, apresentando uma baixa relação alcance/consumo.

O farol é guarnecido por oito faroleiros que, além de manterem o assinalamento marítimo da região, guarnecem desde 1975 o Farol da Berlenga, em grupos de dois e por períodos de uma semana.

Mais recentemente, em Dezembro de 2002, foi instalada no farol, uma estação de GPS Diferencial que, juntamente com uma outra instalada em Sagres, asseguram a transmissão de correcções ao GPS cobrindo todo o território do continente.

Fica assim um dos primeiros faróis da nossa costa intimamente ligado ao sistema de posicionamento mais actual, que permite a determinação da posição, de forma automática e com um rigor da ordem dos 5 metros.

LocalCabo Carvoeiro, Peniche
Coordenadas39° 21' 38.034"N, -9° 24' 27.7524"W
Altura27 m
Altitude57 m
LuzRl(3) Vm 15s
Alcance15 M
OpticaTambor de ópticas seladas
Ano1790