Farol do Bugio


A ideia de erguer uma fortificação no areal da Cabeça Seca frente à fortaleza de S. Julião da Barra, remonta provavelmente ao período de construção desta, mas só em 1571 é formalmente expressa pelo arquitecto Francisco de Holanda, reconhe-cendo as vantagens do cruzamento de fogo de artilharia.

Nos preparativos para fazer face à esperada invasão das tropas de Filipe II de Espanha, foi montada naquele local uma fortificação em madeira com algumas peças de artilharia, que viria a render-se à Armada Castelhana, sendo depois desarmada e destruindo-se com o tempo, por não ter sido contemplada nos planos filipinos de fortificação do Porto de Lisboa.

Em 1589, foi convidado o célebre engenheiro italiano Giovanni Vincenzo Casale para definir a solução a implementar na fortificação do Baixo da Cabeça Seca. Após várias discussões sobre a sua forma, ficou decidido que seria redonda, iniciando-se a construção em 1590 com a implantação de um perímetro de estacaria que seria cheio com pedra. Casale faleceu em finais de 1593 quando as fundações ainda não estavam completas. Seguiu-se-lhe na direcção das obras Leonardo Turriano, também italiano, e que introduziu algumas alterações ao plano de Casale. Em 1640, a obra não estava ainda completa mas tinha já armamento e guarnição, que se rendeu sem oferecer resistência a 2 de Dezembro de 1640 na restauração da independência. É nesta altura que a obra é retomada em força, sendo de crer que só por volta de 1657 tivesse terminado, sob a direcção de Frei João Turriano, filho de Leonardo.

Isolado no meio do Estuário do Rio Tejo, sem qualquer referência que permita ao observador avaliar, por comparação, as suas dimensões, o forte parece imensurável. A sua base circular tem 62 metros de diâmetro por 6 de altura e o forte, também circular, tem 33 por 7.

Numa planta datada de 1693 existia já uma torre com uma estrutura faroleira, e em 1751, uma inspecção ao farol indicava que este funcionava a azeite, de Outubro a Março e se encontrava em razoáveis condições. Esta torre viria a ser destruída pelo terramoto de 1755.

O farol moderno da Fortaleza de S. Lourenço foi um dos seis que o Alvará Pomba-lino com força de Lei, de 1758, manda edificar, tendo entrado em funcionamento em 1775. Instalado numa torre de pedra com 16 metros de altura por 3 de diâmetro, não se sabe qual era o seu equipamento inicial, no entanto, uma planta de 1798 permite identificar uma árvore de candeeiros de Argand. Este equipamento seria substituído por outros semelhantes, até que em 1829 foi instalado um aparelho rotativo de 16 candeei-ros, activado por um mecanismo de relojoaria.

Em 1896 foi montado um aparelho óptico dióptrico de 3ª ordem, rotativo, com candeeiro a petróleo de 3 torcidas, produzindo luz branca fixa, variada com clarões vermelhos. O farol esteve apagado durante a 1ª grande guerra e em 1923 o aparelho óptico seria substituído por um de 3ª ordem, grande modelo.

Em 1933 passou a queimar gás a luz passou a ser fixa, com relâmpagos verdes e dois anos depois instalou-se um sinal sonoro.

O interesse militar foi-se reduzindo e, em 1945 o forte foi desarmado, ficando apenas com a sua função de sinalização marítima.

Pensa-se que o nome Bugio pelo qual é conhecido se deva aos bate-estacas da sua construção, à palavra francesa bougie (vela), ou à sua localização relativa, pois há inúmeros locais noutras barras com a mesma denominação.

Em 1946, o farol passou a utilizar a incandescência do vapor de petróleo como fonte luminosa, sendo electrificado em 1959 com a montagem de grupos electrogéneos, passando a funcionar com lâmpada eléctrica.

A sua automatização ocorreu no ano de 1981, com a instalação de um pedestal rotativo com ópticas seladas, de um detector de nevoeiro e um sistema de monitorização a partir da Central de Paço de Arcos, tendo sido desguarnecido de faroleiros no ano seguinte.

Em 1994 foi instalada uma lanterna omnidireccional de 300 mm de luz eclipsada, e um novo sinal sonoro, passando a funcionar com energia solar.

Em virtude da sua posição, o forte de S. Lourenço tem sofrido ao longo dos anos, vários danos provocados pelo mar. Segundo documentos existentes, assim aconteceu em 1788, 1804, 1807 e 1818, tendo por isso sido objecto de várias obras de reparação e consolidação. As últimas grandes intervenções ocorreram em 1952, 1981 e designadamente em 2000 quando toda a estrutura esteve em risco de desabar.

Pela forma isolada como se encontra no mar, balizando a mais frequentada das nossas barras, dando acesso ao mais importante porto do País, e ainda pela qualidade arquitectónica da fortaleza, o Bugio constituiu sempre um pólo de grande atracção.

LocalFoz do Tejo
Coordenadas38° 39' 37.6632"N, -9° 17' 56.2446"W
Altura14 m
Altitude28 m
LuzLI Vd 5s
Alcance9 M
OpticaOmnidireccional 300 mm
Ano1775