Farol de Vila Real de Santo António


No Plano Geral de Alumiamento e Balizagem da nossa costa marítima, datado de 1866, da autoria do Capitão-de-fragata Pereira da Silva, Inspector Geral de Faróis, está indicado na proximidade de Villa Real de S. António um pharol de 2ª ordem.

A escolha do ponto e altura do foco luminoso sobre o terreno, foram determinadas pelos engenheiros, D. Ricardo Peyroteu e Domingos Tasso de Figueiredo. Pela Comissão de Pharoes e Balizas foi aprovada a memória descritiva datada de 1 de Abril de 1884.

Os typos de apparelhos para os pharoes constantes do Plano Geral estão escolhidos e contractados com a casa Barbier & Fenestre de Paris.

A torre foi projectada com uma altura determinada para o foco luminoso de 40 metros.

Nas fundações, como a construção assenta sobre areia e receando o movimento das areias ou escavação produzida por correntes de água, propunham-se descer com a fundação da torre a 6,00 metros, ficando a base da fundação com 3,66 metros acima do nível do mar. A fundação seria feita em betão hidráulico. No betão e nas fundações dos edifícios empregar-se-ia pedra extraída das margens do rio próximo de Vila Real.

A cantaria e lancil será de Tavira, sendo conduzida por mar até ao porto de Vila Real.

O tijolo vem de Castro Marim e a cal de Tavira ou Cacela. Na cobertura empregar-se-ia telha, modelo marselhez. O orçamento total da construção eleva-se a 25.500$000 reis.

Tendo embora este projecto o valor histórico de ser o primeiro, não seria ele o finalmente adoptado.

Anos mais tarde, outro projectista, o engenheiro José Joaquim Peres, argumentando que o custo, relativamente elevado das fundações para o farol de V.R.S. António conduziu naturalmente à ideia do emprego do cimento armado com o fim de realizar as vantagens de uma construção mais leve que dispense fundações caras e com uma duração, praticamente ilimitada, sem reparações frequentes, dispendiosas e de difícil execução.

A sua opção acabaria por triunfar sobre a primitiva, obtendo no ano de 1916, licença para o Ministério da Marinha construir um farol na costa de V.R.S. António.

Versava assim, o Aviso aos Navegantes nº 15, de 19 de Dezembro de 1922:

A partir do dia 20 de Janeiro de 1923, começará a funcionar o farol de Vila Real de Santo António, entrando, nessa data, no período preliminar de experiências.

O edifício consta de uma torre circular, de cimento armado, branca, com estreitas listas horizontais escuras ... O aparelho lenticular é de 3ª ordem, grande modelo 850 centímetros de distância focal, de rotação, dando relâmpagos brancos...O alcance luminoso é ...de 33 milhas. É visível em todo o horizonte marítimo(...).

O farol fica localizado a sul de Vila Real de S. António. Tem uma torre com 46 metros de altura e 52 metros de altitude. O aparelho óptico que ainda hoje o equipa é um aparelho lenticular de Fresnel de 3ª ordem, grande modelo (500mm distância focal), de rotação. A fonte luminosa era a incandescência pelo vapor de petróleo e a rotação da óptica era produzida pela máquina de relojoaria.

O farol foi electrificado através de motores geradores em 1927.

Para se obterem dados comparativos das várias fontes luminosas utilizadas, a partir de 1 de Junho desse ano, passou a utilizar um candeeiro de nível constante nos dois primeiros dias dos meses ímpares e pela incandescência pelo vapor de petróleo nos dois primeiros dias dos meses pares; pela incandescência eléctrica, nos restantes dias de todos os meses.

Em 1947 foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública. A máquina de relojoaria foi substituída por motores de rotação eléctricos e a lâmpada instalada era de 120V/3000W.

Foram instalados vários sistemas de alarmes e um radiofarol em 1950.

O radiofarol foi modificado em 1954.

Em 1960 os geradores de corrente contínua foram substituídos por alternadores e neste mesmo ano foi instalado um ascensor para acesso à torre.

A lâmpada do farol que era de 3000W, foi substituída por uma de 120 V/1000W em 1983.

O farol foi automatizado em 1989, dispondo actualmente de todos os mecanismos necessários para obviar qualquer falha nos sistemas principais.

Por deixarem de ter interesse para a navegação, foram extintos todos os radiofaróis em 2001.

LocalMargem direita do Rio Guadiana, Vila Real de S. António
Coordenadas37° 11' 12.8214"N, -7° 24' 57.8988"W
Altura46 m
Altitude57 m
LuzFl W 6,5 s
Alcance26 M
Optica3ª Ordem - 500 mm
Ano1923