Farol de São Lourenço


A península mais oriental da Ilha da Madeira, com 9 Km de comprimento e 2 Km de largura, inclui dois ilhéus (Ilhéu da Cevada e Ilhéu de São Lourenço), foi declarada Reserva Natural em 1982 com o objectivo de preservar a sua fauna, flora e herança geológica.

A vegetação de São Lourenço é especial e única, não por estar ainda inalterada, mas devido à presença de importantes grupos que estão virtualmente confinados a esta área. Esta reserva, para além da vegetação, é o lar de muitas espécies de aves, e até de alguns lobos marinhos que ocasionalmente são vistos.

O projecto de edificação de um farol na Ponta de São Lourenço, na Ilha da Madeira, foi aprovado e mandado executar por portaria de 10 de Setembro de 1886.

O referido projecto e orçamento foram iniciados sendo Director dos Telégrafos, José Diogo Mouzinho de Albuquerque, seguindo-se-lhe Júlio Augusto Leiria.

O projecto inicial sofreu algumas alterações, incluindo a adopção do revestimento exterior de azulejos brancos, sendo um melhoramento de reconhecida utilidade para todos os faróis, na opinião do Conselho de Obras Públicas.

A obra teve inicio em 1867 e só ficou concluída em 1870.

O farol de São Lourenço entrou em funcionamento em 30 de Setembro de 1870, sendo o primeiro farol a ser estabelecido na Ilha Madeira.

Fica localizado na extremidade leste da ilha, na parte mais alta do Ilhéu de Fora. A torre tem 10 metros de altura e inicialmente foi equipado com um aparelho lenticular de 2ª ordem (700 mm distância focal), sendo a fonte luminosa um candeeiro de 4 torcidas ainda com funcionamento a azeite que seria substituído alguns anos depois pelo petróleo. A rotação da óptica era produzida por um mecanismo de relojoaria e apresentava luz branca com clarões de 30 em 30 segundos. O alcance luminoso em estado médio era de 25 milhas. Foi dotado também de uma estação semafórica.

Em 1880, 1911 e 1941 houve uma série de reparações e remodelações nas infra-estruturas do farol e caminho de acesso.

A fonte luminosa (candeeiro a petróleo, após o de azeite), foi substituída em 1921 por uma instalação a gás Bernard Barbier e Turenne (BBT), passando o gás a dar lugar à incandescência pelo vapor de petróleo em 1930.

As alterações da fonte luminosa não ficariam por aqui, pois passados alguns anos (1956), o farol foi electrificado com a montagem de grupos electrogéneos, sendo instalada uma lâmpada de incandescência de 3000W.

O aparelho óptico inicialmente montado, por se encontrar em muito mau estado de conservação, foi também substituído por outro de 3ª ordem, grande modelo (500 mm distância focal).

Em 1983 o farol foi integralmente automatizado. Foi desmontado o aparelho óptico e instalado em seu lugar um moderno pedestal rotativo de ópticas seladas, com lâmpadas de halogéneo e reflectores parabólicos, munido de automatismos vários que garantem a entrada em funções de outros dispositivos em caso de falha dos principais, com um sistema de telesinalização - REMO-21. Foram também montados novos grupos electrogéneos ficando o farol a ser telecontrolado a partir da central de São Jorge. Esta operação de automatização contou com a preciosa colaboração da Força Aérea para o transporte das cerca de 10 toneladas de material que houve necessidade de levar para o farol, pois devido às más condições de acostagem no Ilhéu, muito material foi perdido em ocasiões anteriores, na altura do desembarque.

A 28 de Abril de 2000 o sistema então em uso foi substituído por um moderno farol rotativo de alto rendimento, com um alcance luminoso estimado de 20 milhas, funcionando a energia solar.

O farol, a partir desta data, deixou de estar guarnecido com pessoal faroleiro ficando a cargo do farol de São Jorge.

LocalIlhéu de Fora-Extremo Este da Ilha da Madeira
Coordenadas32° 42' 6.4794"N, -16° 42' 31.791"W
Altura10 m
Altitude103 m
LuzFI W 5s
Alcance20 M
OpticaAcrílica 400 mm
Ano1870