Farol de Leça


«(...) Leixões, Leça e Matosinhos não tem luz alguma. O pharol dioptrico de 4ª ordem, de N.S. da Luz, substituiu em 1865 o antigo apparelho com candieiros de Argand e reflectores parabolicos, mantendo-se a torre e casas annexas no mesmo estado antigo sem melhoramento notavel. Tudo ali é acanhado e improprio, a não ser a vastidão do horizonte e o panorama de S. João da Foz e da cidade do Porto, cuja importância economica, difficuldade da barra e asperesa do mar e costa merece outra consideração. Nada, pois, do que ali ha pode utilizar-se, sendo necessario reconstruir tudo desde os fundamentos (...)»

Este era o desolador panorama que a costa portuguesa apresentava nas proximidades do local onde se ergue hoje o Farol de Leça, na opinião da Comissão dos Faróis e Balizas que foi criada em 1881 e incluia o contra-almirante Francisco Maria Pereira da Silva no número dos seus diversos membros. Esta Comissão foi incumbida de apresentar um Plano Geral de Alumiamento das Costas do Continente e Ilhas Adjacentes e, na sua apresentação que fez da situação da farolagem de então, conforme está lavrado em acta de 28 de Julho daquele ano, retrata da forma acima descrita, aquela porção da costa.

Relativamente ao projectado farol de Leça, o Plano Geral atrás citado compreende as seguintes considerações:

«Incluiram-se no projecto de alumiamento da Costa do Continente três pharoes electricos – um em Leça, um no Cabo da Roca e outro no Cabo de S. Vicente. Sendo estes trez pontos da mais alta importancia na nossa costa foram contemplados por isso com luzes de maxima intensidade que é possível obter no estado actual da sciencia. O primeiro ponto, pela sua proximidade do maior centro comercial e marítimo do Norte do paiz é de mui elevada importancia, a qual será consideravelmente exaltada realizado que seja o projecto do porto de abrigo ou o melhoramento das condições da barra do Douro(...)»

A organização do serviço de faróis acabou por passar para a Marinha em 1892, o que levou que o projecto do farol de Leça não fosse imediatamente por diante.

Em 28 de Outubro de 1902 é nomeada uma comissão presidida pelo CMG. hidrógrafo Joaquim Patrício Ferreira e que englobava o então CFR. hidrógrafo Júlio Zeferino Schultz Xavier e que em relação ao farol de Leça decidia esta comissão:

«A Commissão (...) julga dever dispensar-se a installação não só do pharol electrico indicado para Leça, cuja opportunidade foi por assim dizer attenuada, talvez mesmo anulada, com a construção do porto artificial de Leixões, especialmente depois da installação do actual pharol no seu molhe Sul, mas também do pharol electrico que o Plano Geral indicava para o promontorio do Cabo de S. Vicente (...)»

Esta opinião determinou que o farol de Leça só viesse a ser equacionado mais tarde, quando em 1919 o Director Geral da 4ª Divisão Geral da Secretaria de Estado da Marinha – 5ª Repartição, solicitou que fossem elaborados os planos do edifício do farol de Leça.

Entrou em funcionamento em 15 de Dezembro de 1926 sendo sucessor do farolim da Boa Nova que existiu entre 1916 e 1926, pois a sua entrada em funcionamento, coincidiu com a extinção daquele farolim e do farol de N.S. da Luz, sendo este, o primeiro farol que existiu na costa portuguesa (1761).

O aparelho óptico é de 3ª ordem, grande modelo (500mm distância focal), sendo a fonte luminosa, uma lâmpada de incandescência eléctrica. A energia era produzida através de motores geradores. A fonte luminosa de reserva, era constituída pela incandescência do vapor de petróleo e por um candeeiro de nível constante de 4 torcidas. A rotação do aparelho era conseguida pelo sistema de máquina de relojoaria. A altura da torre é de 46 metros e a altitude do farol de 57 metros.

Entre 1926 e 1962, funcionou nas suas instalações a Escola de Faroleiros que ministrava o curso elementar e complementar de faroleiros.

Em 1938 foi instalado um rádio farol.

A máquina de relojoaria foi substituída em 1950 por motores de rotação eléctricos, tendo-se, um pouco mais tarde, equipado o farol com um ascensor para acesso à torre.

Em 1964 o farol foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública e foi-lhe instalada uma lâmpada de 3000W.

Foram iniciadas, em 1979, as automatizações dos farolins do porto de Leixões (Quebra-mar, Molhe Norte e Molhe Sul) e o farolim de Felgueiras à entrada da barra do Douro. Estes farolins, passaram a ser controlados à distância a partir do farol de Leça, por meio de equipamento concebido para o efeito. Foi a primeira rede de farolins telecontrolados da costa portuguesa. A potência da fonte luminosa foi reduzida com a instalação de uma lâmpada de 1000W.

Em 2001 por já não terem grande interesse para a navegação foram extintos todos os radiofaróis.

Encontra-se actualmente em curso, uma grande obra de remodelação e beneficiação do farol de Leça.

LocalBarra Nova, Leça da Palmeira
Coordenadas41° 12' 4.7694"N, -8° 42' 43.671"W
Altura46 m
Altitude57 m
LuzFI (3) W 14 s
Alcance28 M
Optica3ª Ordem - 500 mm
Ano1926
Farol de Leça visto por Ricardo

Farol de Leça visto por Ricardo

Foto Antiga

Foto Antiga

Farol de Leça visto por flight69

Farol de Leça visto por flight69

Pôr do Sol visto por mapecard

Pôr do Sol visto por mapecard

Farol de Leça visto por Renato Cerqueira

Farol de Leça visto por Renato Cerqueira

Farol de Leça

Farol de Leça

Vista do farol

Vista do farol

Farol de Leça visto por Maria Avelino

Farol de Leça visto por Maria Avelino

Foto Antiga

Foto Antiga

Lâmpada do farol

Lâmpada do farol

Farol à noite

Farol à noite

Farol de Leça visto por Orlando Ferreira

Farol de Leça visto por Orlando Ferreira

Placa junto ao farol

Placa junto ao farol

Farol de Leça visto por Daniel Rodrigues

Farol de Leça visto por Daniel Rodrigues