Farol da Ponta da Barca


Era no Pico Negro que o Plano Geral, aprovado em 1883, projectava a construção de um farol de 2ª ordem, na Ilha Graciosa.

Sobre a escolha do local de edificação, pronunciou-se a Comissão de 1902: “à comissão satisfaz a proposta para ser installado n’esta ponta um apparelho de quinta ordem mostrando grupos de cinco clarões brancos...”, discordando como se pode comprovar, quanto ao tipo de aparelho a instalar. Entendia a Comissão que devido à pouca navegação que vinha do Norte, um aparelho de 5ª ou quanto muito de 3ª ordem, pequeno modelo, era suficiente, tendo a vantagem de se fazer uma grande economia.

A verdade é que acabaria por optar-se pela construção do farol na Ponta da Barca, um pouco mais para Oeste do inicialmente projectado e, uns anos mais tarde. A escolha deste novo local terá facilitado em muito a construção do farol, embora com o senão da existência de sectores em que a interposição do Pico Negro não permite a observação visual do farol.

O farol da Ponta da Barca entrou em funcionamento em 1 de Fevereiro de 1930 e está localizado na Ponta da Barca a Noroeste da Ilha Graciosa. Tem uma torre com 23 metros de altura e 71 metros de altitude.

Foi equipado com um aparelho lenticular dióptrico catadióptrico, girante de 3ª ordem grande modelo (500 mm distância focal), produzindo um relâmpago simples de 5 em 5 segundos, sendo a fonte luminosa a incandescência pelo vapor de petróleo, tendo como reserva um eclipsor a gás BBT.

Possuía ainda um sistema de emergência constituído por um candeeiro de nível constante de 4 torcidas.

A rotação da óptica era produzida pela máquina de relojoaria.

O equipamento e a lanterna que o alojava, adquiridos em 1927, custaram 804.200 francos franceses, correspondentes a 72.378$00.

Em 1935 foi reconstruída a estrada que liga o farol à Vila de Santa Cruz, em que a Direcção de Faróis teve de comparticipar com 6.000$00.

A construção inicial do farol previa apenas a existência de duas habitações para faroleiros, pelo que em 1952, foi edificada mais uma habitação orçamentada em 50.000$00. Passados mais alguns anos viria a ser construída uma outra habitação, para que a lotação do farol passasse a ter quatro faroleiros.

O farol foi electrificado através de grupos electrogéneos em 1958, passando a fonte luminosa a ser uma lâmpada de 3000W, 110V, que lhe proporcionava um alcance luminoso de 41 milhas, ficando como reserva a incandescência pelo vapor de petróleo. Já nos anos oitenta, a lâmpada foi substituída por outra de 1000W, 120V, reduzindo o alcance luminoso para 20 milhas.

Em 1978 uma forte trovoada fez grandes estragos no farol e habitações.

Tratando-se, actualmente, da torre mais alta do Arquipélago dos Açores e encontrando-se numa zona muito exposta, tem sido periodicamente objecto de obras de recuperação de alguma dimensão, a última das quais já nos anos oitenta.

Foi electrificado com energia da rede pública em 1999 e está automatizado com o sistema modelo DF.

LocalPonta da Barca, Ilha Graciosa
Coordenadas39° 5' 37.341"N, -28° 2' 58.4514"W
Altura23 m
Altitude71 m
LuzFl W 7 s
Alcance20 M
Optica3ª Ordem - 500 mm
Ano1930