Farol da Guia


Desde o início do século XVI que existiam alguns pontos da costa portuguesa onde era usual acender fogueiras ou luzes de azeite que constituíam ajudas à navegação, os quais se chamavam fachos ou vigias. Este era o caso da ermida de N. Sr.ª da Guia, construída em 1523 numas terras doadas por D. Luiz de Castro, senhor de Cascais e, onde em 1537, a irmandade local ergueu uma torre onde se acendia um conjunto de quatro ou cinco luzes de azeite que se via a grande distância para ajudar os navegantes. Esta luz era mantida pela irmandade, que fornecia o azeite e vidraças da lanterna, mantendo-a acesa durante cerca de oito meses do ano. Mas esta não foi a primeira luz do género em Portugal, pois já desde 1515 ou 1516 os frades do Convento de D. Fernando no Cabo de S. Vivente ali mantinham uma luz.

Esta luz era mantida pela irmandade, que fornecia o azeite e vidraças da lanterna, mantendo-a acesa durante cerca de oito meses do ano. Mas esta não foi a primeira luz do género em Portugal, pois já desde 1515 ou 1516 os frades do Convento de D. Fernando no Cabo de S. Vivente ali mantinham uma luz.

A torre foi muito danificada com o terramoto de 1755, obrigando a grandes obras de reconstrução e à substituição do equipamento. Entretanto, o Serviço de Faróis é organizado e atribuído, pelo Marquês de Pombal, à junta de Comércio, por alvará de 1 de Fevereiro de 1758, que manda construir 6 faróis na nossa costa, sendo o primeiro estabelecido em 1660, o de N. Sr.ª da Luz, a norte da Barra do Douro, onde antes existia uma luz rudimentar e que já se encontra extinto por ter deixado de ser útil.

O Farol da Guia actualmente existente, decorre da reconstrução da ermida de N. Sr.ª da Guia, e foi o segundo do Serviço de Faróis, tendo sido estabelecido em 1761, emitindo uma luz fixa branca, a partir de 16 candeeiros de Argand, alcançando as 13 milhas em boas condições de visibilidade, num sector de 240º. A sua torre, de oito faces, com 23 metros de altura e consti-tuí-da por espessas paredes de alvenaria com cunhais e cimalhas de cantaria, foi forrada com azulejos brancos em meados do sec. XIX e renovados em Abril de 2003.

Em 25 de Setembro de 1879, é dotado de uma ópti-ca de tambor de Fresnel, de 3ª ordem, com 500 mm de distância focal, com um candeeiro a gás produzido do petróleo que seria substituído por um de duas torcidas em 1897. O farol cobria um arco de horizonte de 288º num alcance de 15 milhas. Nesta altura, estava já em construção o Farol de Santa Marta, que iria constituir com o da Guia, o enfiamento da Barra Norte do Porto de Lisboa.

O farol esteve apagado entre Março de 1914 e Dezembro de 1918 devido à 1ª grande guerra.

Em 1938 o candeeiro de duas torcidas é substituído por um eclipsor a gás, passando a apresentar três relâmpagos a cada 15 segundos, com um alcance de 21 milhas. Nesta altura é instalada uma pequena lanterna que emitia uma luz fixa vermelha na direcção do enfiamento.

Em 1957, o farol é electrificado com a instalação de dois grupos geradores, sendo retirada a lanterna vermelha do enfiamento, e dotado de um filtro vermelho na óptica em sua substituição.

Em 1982, juntamente com os restantes faróis das aproximações a Lisboa, foi automatizado passando a dispor de redundâncias nas suas funções vitais, e a ser controlado a partir de uma central de telecontrolo instalada na Direcção de Faróis, em Paço de Arcos.

Actualmente, o farol não é guarnecido, sendo as suas residências utilizadas por faroleiros que prestam serviço na Direcção de Faróis. O sistema de telecontrolo foi substituído por um de monitorização, que transmite uma mensagem SMS para o telemóvel do faroleiro de chamada à Central de Faróis, sempre que ocorre uma falha.

O Farol da Guia é uma belíssima construção que evidencia a época pombalina e constitui, para além da sua utilidade primária, um local de visita obrigatória para quem demande aquela área.

LocalGuia - Oeste de Cascais
Coordenadas38° 41' 44.2638"N, -9° 26' 47.1618"W
Altura28m
Altitude58m
LuzIso Br Vm 2s
AlcanceBr 19 M; Vm 16 M
Optica3ª Ordem 500 mm
Ano1761