Farol de Montedor


O farol de Montedor, o mais setentrional da costa continental portuguesa, viu a sua construção repetidamente adiada, embora desde cedo se fizesse sentir a sua necessidade.

O alvará da Junta Geral da Fazenda de 1 de Fevereiro de 1758, incluía-o entre os seis faróis que mandava edificar: Berlengas, Nossa Senhora da Guia, Fortaleza de São Lourenço (Bugio), São Julião da Barra, barra do Porto e costa de Viana.

A verdade, porém, é que, apesar de constarem deste alvará, nem a construção do farol de Montedor nem a de outros viria a concretizar-se, razão pela qual um decreto de 12 de Dezembro de 1826 determina, novamente, que se proceda à construção dos faróis de Montedor, das Berlengas do Cabo de São Vicente, do Cabo de Santa Maria e do Cabo Mondego.

O inspector de faróis, capitão de fragata Francisco Maria Pereira da Silva, no seu «Projecto de alumiamento marítimo para a costa de Portugal – descrição dos pontos ao longo da costa onde mais convém estabelecer novos pharóes», datado de 1872, incluiu, efectivamente, Montedor entre esses pontos:

«Montedór – È a primeira posição escolhida, principiando do norte, por ser a mais vantajosa d´aquella nossa costa marítima para estabelecer um pharol, que ficará a 30 milhas do pharol das ilhas Cies ou de Bayona.

Pereira da Silva preconizava a instalação de um farol de 2ª ordem, sendo o equipamento um dos «pharoes modernos lenticulares de Fresnel ou pharoes dioptricos» a substituir em faróis já existentes os «pharoes antigos com candieiros de Argand e reflectores parabolicos ou pharoes catoptricos».

A Comissão dos Faróis e Balizas mais tarde criada, à qual presidia o Conselheiro Guilhermino Augusto Barros e em que tinham assento os contra-almirantes António Maria dos Reis, Bento Freire de Andrade e Francisco Maria Pereira da Silva, deu a sua aprovação, na sessão de 21 de Janeiro de 1882, ao parecer da sub-comissão de faróis e balizas encarregada de elaborar o plano geral de iluminação da costa de Portugal. Um dos faróis proposto era uma vez mais o de Montedor.

Por proposta de lei assinada por Fontes Pereira de Melo e Hintze Ribeiro, que integrava o plano Geral de Alumiamento e Balizagem, foi definido que o Farol de Montedor fosse equipado com um farol de 2ª ordem, eléctrico de três clarões brancos, acompanhado de um sinal de nevoeiro (sino tocado por movimento de relojoaria).

No entanto, a concretização definitiva do projectado farol só começa a adquirir contornos nítidos no seio de uma Comissão designada por portaria de 1902. Esta Comissão, presidida pelo Capitão-de-mar-e-guerra Joaquim Patrício Gouveia e integrando o capitão-de-fragata Júlio Zeferino Schultz Xavier e o primeiro-tenente Francisco Aníbal Oliver, vem finalmente, na sessão de 9 de Julho de 1903, a determinar a localização e o equipamento a instalar em Montedor.

Ultimado em 1908 e orçado em vinte e dois contos de reis, a edificação viria a concluir-se a em 1910, tendo o farol - 28 metros de altura (103 metros de altitude), entrado em funcionamento a 20 Março, conforme reza o Aviso aos Navegantes nº 2, de 22 de Fevereiro de 1910.

O aparelho óptico montado tinha estado instalado no farol de S. Vicente e é um aparelho lenticular de Fresnel de 3ª ordem, grande modelo (500mm de distância focal), dando 3 relâmpagos brancos. O aparelho iluminante é um candeeiro a petróleo de nível constante de quatro torcidas, produzindo-se a rotação da óptica através da máquina de relojoaria.

Em 1917 um grande furacão partiu vidros, arrombou portas e destelhou casas, provocando enormes estragos no farol.

Foi equipado com um sinal sonoro em 01 de Janeiro de 1919.

Em 1926 foi tapado um painel do aparelho óptico, passando o farol a emitir dois relâmpagos em vez de três, para não dar azo a confusões com o farol de Leça.

A fonte luminosa em 1936 passou a ser a incandescência pelo vapor de petróleo.

Foi construída uma casa para o rádiofarol em 1939 e instalado o radiofarol em 1942 (desactivado em 2001 por ter perdido o interesse para a navegação).

O farol foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública em 1947, passando a utilizar uma lâmpada de 3000W. O terreno pertencente ao farol até aí sem qualquer vedação, foi vedado com muros.

Em 1952 foi desmontado o sinal sonoro a ar comprimido e montada uma sereia eléctrica. O sinal sonoro retirado, foi montado no farol da Nazaré.

A sereia eléctrica que até então estivera montada numa base em cima de dois postes junto à casa de inspecção, foi transferida para uma estrutura construída junto ao mar em 1960.

A potência da fonte luminosa foi reduzida em Março de 1983, sendo instalada uma lâmpada de quartzline de 1000W.

A 04 de Dezembro de 1987, o farol foi automatizado, tendo sido equipado com um novo sinal sonoro.

A 7 milhas a Sul da foz do Rio Minho o farol de Montedor é assim o primeiro farol da Costa Portuguesa.

LocalCrreço, Montedor - Zona norte de Viana do Castelo
Coordenadas41° 45' 4.377"N, -8° 52' 23.898"W
Altura28 m
Altitude103 m
LuzFl (2) W 9.5s
Alcance22 M
Optica3ª ordem 500 mm
Ano1910
Farol de Montedor visto por Noémia Melo Costa Dias

Farol de Montedor visto por Noémia Melo Costa Dias

Farol de Montedor visto por Joel Calheiros

Farol de Montedor visto por Joel Calheiros

Farol de Montedor visto por Joel Calheiros

Farol de Montedor visto por Joel Calheiros

Torre do farol

Torre do farol

Farol de Montedor visto por Abel M.Queirós

Farol de Montedor visto por Abel M.Queirós

Lâmpada do farol

Lâmpada do farol

Placa do Ministério da Defesa

Placa do Ministério da Defesa

Farol de Montedor visto por Heterônimo

Farol de Montedor visto por Heterônimo